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Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

30.11.25

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Anathema

 

- Avó, estou cansada. Tão cansada desta vida...
- Pega no teu cansaço, minha filha, e envolve-o em volta de ti. Como um cobertor nos meses frios de inverno. O cansaço vem para que faças um ninho, para que vistas roupas confortáveis, para que afundes no seu abraço quente. Convido-te a ficares dentro de ti. Sem força, sem pensamentos, sem ações. Como a neve que cobre tudo para amolecer o mundo, para fazê-lo abafado, para protegê-lo do barulho. Aceita os flocos do teu cansaço e deixa-te ficar coberta por eles.
- Eu poderia morrer enterrada ali em baixo...
- Vais renascer em vez disso. Como a semente no chão. Não resistas ao teu cansaço, não o rejeites com mil ações, mil intenções, mil sentimentos de culpa. Ele só te quer pegar pela mão e levar-te a afundar no vazio. É ali, que reside a fonte de toda a força interior. Eles nos ensinaram a ser fortes resistindo. Mas é na rendição que surgem os verdadeiros heróis. "
- Tenho medo, avó. E se o cansaço me deitar por terra?
- Minha filha, tu não tens medo do cansaço e sim, de perder o controle de ti mesma. Chegou a hora de te entregares à vida. E para fazeres nascer os frutos da sua alma!
______Caminho, se faz caminhando 🖋️
 
 

30.11.25

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Anathema

 

Quando a vida te empurra, não é castigo. É direção. É força. É movimento. Ela sabe o que você ainda não entendeu: que sem o desequilíbrio, você nunca descobriria o quanto é capaz de se reerguer. Nem todo empurrão é para te ver cair. Às vezes, é para te tirar da zona de conforto, para te fazer sair de onde já não existe crescimento. É para te mostrar que você é maior do que o medo, mais forte que o cansaço e mais corajoso do que imagina. A vida empurra para te ensinar a se balançar, se reinventar, se divertir no processo. Porque no fim, o que parece caos é só o universo te reposicionando no eixo certo.
 
Dan Rattes
 
 
 
 

16.11.25

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Anathema

14.11.25

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Anathema

02.11.25

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Anathema

Vergonha da Esperança

Tenho uma dor no peito,
mas tenho vergonha da poesia que a diga —
parece vulgar, dizer “peito”,
quando já nem sei onde ele fica.

A dor dói, mas também se ri,
regozija-se na promessa de outra distração intensa,
como quem pede ao sofrimento um intervalo,
um gole breve de inconsciência.

Detesto a esperança — essa mendiga teimosa
que volta sempre, mesmo quando a expulso.
Mas é dela que se trata,
sempre dela,
esse vício de querer ainda sentir,
mesmo quando o sentir é o que mata.

core

01.11.25

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Anathema

Se algum dia eu tiver demência, gostaria que a minha família pendurasse esta lista no sítio onde eu viver.
Quero que se lembrem destas coisas:
1a. Sempre que entrarem na sala, anunciem-se com carinho: “Olá, mãe.”
Nunca perguntem “Sabes quem eu sou?” isso só me deixará confusa e ansiosa.
1. Se eu tiver demência, quero que os meus amigos e a minha família aceitem a minha realidade.
2. Se eu acreditar que o meu companheiro ainda está vivo, ou que vamos jantar com os meus pais, deixem-me acreditar. Assim serei mais feliz.
3. Se eu tiver demência, não discutam comigo sobre o que é real para mim e o que é real para vocês.
4. Se eu não souber exatamente quem és, não leves a mal. A minha memória já não segue a linha do tempo como antes.
5. Se eu já não conseguir usar talheres, não me alimentem logo. Tentem adaptar a minha comida, talvez ainda consiga comer sozinha.
6. Se eu estiver triste ou ansiosa, dá-me a tua mão e ouve-me com calma.
7. Mesmo com demência, não quero ser tratada como uma criança. Fala comigo como o adulto que sempre fui.
8. Ajuda-me a continuar a desfrutar das coisas de que sempre gostei, mesmo que seja de uma forma diferente.
9. Pede-me para contar histórias do meu passado. Isso ajuda-me a sentir-me ligada à vida.
10. Se eu estiver agitada, tenta perceber o que me está a incomodar antes de te zangares.
11. Trata-me como gostarias que te tratassem, se estivesses no meu lugar.
12. Nunca fales de mim como se eu não estivesse presente.
13. Se não conseguires cuidar de mim 24 horas por dia, não te sintas culpada. Fizeste o teu melhor. Procura ajuda ou um bom lugar onde eu possa viver com dignidade.
14. Se eu viver numa casa especializada em demência, visita-me sempre que puderes. A tua presença faz toda a diferença.
15. Se eu trocar nomes, locais ou datas, não te irrites. Respira fundo, não o faço de propósito.
16. Não me excluas de festas ou reuniões de família. Continuo a precisar de sentir que pertenço.
17. Mesmo com demência, continuo a gostar de abraços e apertos de mão.
18. Acima de tudo, lembra-te: eu continuo a ser a mesma pessoa que sempre conheceste e amaste. ❤️
 
Sol Ruiz
 
 

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