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Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

13
Fev24

...

Anathema

 

sexus , nexus , plexus
pensava Henry Miller .
Mas , para mim , mais que tudo ,
quero sexus sem muito nexus
e com muito , muito plexus
ou vários e inusitados amplexos .
Plexo solar , central , umbilical
e todas as adajacências acima e abaixo
descobertas e hiperfuncionais
ao simples toque dos dedos ,
curiosos , desejosos , ledos .
Quero sexus sem nexus algum ,
pois não há nexus nesse desejo
que me move amedronta e alimenta
na estrada tomentosa
em que me desacorrento

13
Fev24

...

Anathema

13
Fev24

...

Anathema

 

"Rimos porque, apesar das notícias dos jornais, estamos vivos. Continuamos vivos. Rimos porque respiramos. Rimos porque escutamos, no quarto ao lado, as gargalhadas dos nossos filhos. Rimos porque sabemos dançar. Rimos porque podemos dançar. Rimos porque a esperança se alimenta do riso. Rimos porque o riso é subversivo. Rimos porque o riso é revolucionário.
Rir é resistir".
 
José Eduardo Agualusa
13
Fev24

...

Anathema

 

"Mas não tenho mais tanta pressa..
Comecei a ser gentil com meus passos,
afinal não há lugar algum
para chegar além de mim...
Eu sou o viajante e a viagem.."
 
Ana Jácomo
13
Fev24

...

Anathema

 

"Porque andei sempre sobre meus pés,
e doeu-me às vezes viver."
 
Mia Couto
11
Fev24

...

Anathema

07
Fev24

...

Anathema

 

 

O MARAVILHOSO PODER DAS PALAVRAS
Leticia foi minha aluna numa escola em trás-os-montes em plena Serra.
Tinha 11 anos conhecendo as carências e sujidade da vida. Sempre com a mesma roupa, herdada por uma tradicional necessidade familiar. Onze anos lutando com os bichos dia e noite. Com um nariz que como vela escorria o tempo todo. Com cabelo comprido e desbotado servindo de escorrega para os piolhos. Mesmo assim, era uma das primeiras a chegar à escola.
Na hora do trabalho em equipe ninguém queria trabalhar com ela . Os colegas não lhe deram a oportunidade de demonstrar o quão inteligente ela era: repúdio foi o que Leticia conheceu.
De vez em quando contava histórias aos meus alunos e me perguntava: de que adianta ler histórias para estas crianças algumas delas nem comeram? ; serviria de alguma coisa alimentá-los com fantasias? Eu acreditava que sim, mas não sabia até onde. Constantemente contava-lhes histórias, especialmente na hora mágica das leituras, duas vezes por semana. Um dia contei "A Cinderela" e quando cheguei à parte em que a fada madrinha transformou a jovem andrajosa em uma linda moça de vestido vaporoso e chinelos de cristal, Letícia aplaudiu freneticamente o milagre realizado.
Noutra ocasião, perguntei aos meus alunos o que eles queriam ser quando crescerem? E o baú dos seus desejos se abriu para mim: alguém queria ser astronauta, embora nem a carreira chegasse á aldeia; outros queriam ser mestres, artistas ou soldados. Quando foi a vez da Leticia, levantou-se e com voz firme disse: "Eu quero ser médica! " e uma gargalhada insolente foi ouvida na sala de aula
Letícia com lágrimas nos olhos encolheu-se toda no banco invocando a fada madrinha da Cinderela que não chegou.
Meu trabalho nessa escola terminou junto com o ano letivo. A vida seguiu o seu curso. Depois de 15 anos, voltei por esses lugares para reviver memórias ....encontrei algumas respostas e outras perguntas. Algumas Boas notícias....uma delas que a carreira já passava na aldeia
Antes de chegar ao cruzeiro onde transbordam os passageiros que vão para a outra povoação,uma jovem abeirou-se de mim vestida de branco.
- Você é o mestre Victor Manuel!... Você foi meu professor! - Ela disse-me - surpreendida e sorridente. Aquele que podia encantar cobras com as histórias que contava.
Lisonjeado, respondi:
- Esse sou eu.
- Não se lembra de mim, mestre? -perguntou, e continuou dizendo com a mesma voz firme de outro tempo - eu sou Leticia... E eu sou médica...
Atropelei as Minhas memórias para reconstruir a imagem daquela garotinha que em outro tempo ninguém queria ter por perto.
Desceu no cruzeiro deixando, como a Cinderela, a pegada de seus tênis no estribo da carreira.. E eu com mil perguntas. Ainda me disse: - Trabalho em Bragança... Encontre-me na clínica tal... e foi embora...
Um dia fui á clínica que ela me disse e não a encontrei. Nem a enfermeira nem o porteiro a conheciam. "As histórias são lindas, mas não deixam de ser histórias", eu lamentei que não fosse verdade.
Arrependido de ter ido, e quase derrotado, encontrei a diretora da clínica e falei com ela. O que ela me disse encheu-me de felicidade reviveu a minha fé nas pessoas e na literatura:
-A Dra. Leticia trabalhava aqui - ela contou-me. Ela é muito humana e tem muito amor pelos pacientes, principalmente pelos mais necessitados.
- Essa é a pessoa que eu procuro - quase gritei.
- Mas já não está entre nós - disse a diretora.
- Morreu? - Perguntei ansioso.
Não disse sorrindo A Dra. Leticia candidatou-se a uma bolsa de estudo e ganhou-a... agora está na Itália.
Leticia continua a aprender mais e a ensinar seus segredos para lutar e perseguir os sonhos Eu ainda quero saber até onde vai o poder das palavras; qual é o segredo para encantar as cobras ? ; como professor, o que posso fazer para equilibrar a balança da justiça social em casos semelhantes? ; quando começou a descolagem dos sonhos de Leticia? E quanto ao resto dos seus companheiros? ; onde está a força das mulheres que superam qualquer expectativa?
Não quero mais ser o professor da Letícia: agora quero aprender. Quero que ela me ensine como uma lagarta evolui para se tornar um anjo e, acima de tudo, quero descobrir qual foi a varinha mágica que a transformou na Princesa do Conto de Fadas.
 
📚"Letícia, piolhos e contos de fadas. (não tem o nome de autor )

Pág. 3/3

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