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Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

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Anathema, 18.06.22

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Anathema, 17.06.22

 

Quanta atualidade neste texto;
“Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma ”
 
Marina Colasanti

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Anathema, 16.06.22

 

SÓ AMEI o que tinha fim
_______E TUDO QUE EU AMEI se eternizou.
 
✔Coisas do MiaCouto

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Anathema, 13.06.22

 

“A gente se engana quando pensa que  as manifestações verbais agressivas são facilmente percebidas.Elas são destrutivas por serem sutis e profundamente poderosas. Provocam internamente, por não serem óbvias, sentimentos tão tristes quanto um ato de agressão concreta.
A memória é uma delicadeza.”
 
 
 
 
 
 
 

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Anathema, 13.06.22

 

Dia dos namorados é prá fraco:
Ela se olhou no espelho, então olhou para ele que estava sentado na cama, e então perguntou a ele, você ainda gosta?
Ele respondeu, como o primeiro dia.
Ela colocou as mãos em torno de sua cintura e perguntou-lhe, você percebeu que meu corpo não é o mesmo de quando nos conhecemos?
Ele respondeu. Não.
Ela colocou as mãos em seu busto e perguntou a ele, você percebeu que meu busto já estava baixo, ele respondeu. Não.
Ela ergueu o vestido e olhou para as pernas e perguntou:
Você notou que minhas pernas não são duras e lisas como antes? Ele respondeu outra vez não.
Então ela se aproximou dele e, com lágrimas nos olhos, perguntou a ele.
Então, o que você faz ao meu lado se você não me vê mais, se você não percebe o quanto meu corpo mudou, dormimos juntos e você não percebeu que eu não sou a mesma que ontem?
Ele sorriu e disse: Muito antes de ver seu corpo, olhei para o seu modo de ser, muito antes de tocar seu corpo, senti sua maneira de amar. Muito antes de ver o seu busto levantado, olhei para o seu coração um coração cheio de bondade. Muito antes de ver sua figura sensual, senti que você era o molde perfeito para semear minha semente, senti um solo fértil, senti você como mãe e uma mulher para perpetuar minha família.
Meu amor... Não fique triste com a sua aparência, fique feliz por saber como eu ainda sinto você.
Eu me apaixonei pela sensualidade e pela bondade de sua alma, não apenas pela beleza do seu corpo... E, através das lágrimas, ela desenhou um sorriso que fez o rosto resplandecer novamente...
O homem quando valoriza a mulher que tem em casa não procura perfeição em seu corpo, beleza se acaba com o tempo mas o amor se vive até o último suspiro.
 

Represa de Conhecimento

Anathema, 13.06.22

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Anathema, 12.06.22

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Anathema, 12.06.22

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Anathema, 11.06.22

 

“… Os grandes amores não se perdem, ficam para sempre arquivados em nós.
Haverá sempre uma música, um perfume, um gesto parecido, um nome ouvido ou lido numa placa de rua que nos fará lembrar dele.
Os grandes amores não acabam, mesmo que partam antes de nós, mesmo que desapareçam da nossa vista, ficarão para sempre no nosso coração, em que palavra que nos disseram, em cada abraço que nos deram, em cada emoção que nos provocaram e de vez em quando vamos buscá-los e sorrimos ou vertemos uma lágrima de saudade.
O que é verdadeiro permanece em nós pela eternidade e olhando a lua ou as estrelas, lembramo-los…”
 
Ana Silvestre

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Anathema, 11.06.22

 

Quando eu era criança e pegava uma tangerina para descascar, corria para meu pai e pedia:
- "Pai, começa o começo."
O que eu queria era que ele fizesse o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as minhas pequenas mãos.
Depois, sorridente, ele sempre acabava descascando toda a fruta para mim. Mas, outras vezes, eu mesmo tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que ele havia feito.
Não sou mais criança. E muitas vezes fico tão perdido sem saber pra quem pedir pra pelo menos, "começar o começo" de tantas cascas duras que encontro pelo caminho.
Hoje, minhas "tangerinas" são outras.
Preciso "descascar" as dificuldades do trabalho, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário para fazer tudo certo, para não decepcionar as pessoas que me amam, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. Em certas ocasiões, minhas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis…
Lembro-me, então, que a segurança de ser atendido pelo papai quando lhe pedia para "começar o começo" era o que me dava a certeza que conseguiria chegar até ao último pedacinho da casca e saborear a fruta.
Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina para as mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a Deus: "Pai, começa o começo!"
Ele não só "começará o começo", mas resolverá toda a situação para você. Não sei que tipo de dificuldade eu e você encontraremos pela frente.
Sei apenas que vou me garantir no Amor Eterno de Deus para pedir, sempre que for preciso:
- "Pai, começa o começo."
 
Nurjaha Tarmahomed