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Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

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Novembro 02, 2020

Anathema

 

"Sou feita de retalhos.
Pedacinhos coloridos de cada vida que passa pela minha e que vou costurando na alma. Nem sempre bonitos, nem sempre felizes, mas me acrescentam e me fazem ser quem eu sou.
Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior. Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade… que me tornam mais pessoa, mais humano, mais completo. E penso que é assim mesmo que a vida se faz: de pedaços de outras gentes que vão se tornando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados… haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma.
Portanto, obrigada a cada um de vocês, que fazem parte da minha vida e que me permitem engrandecer minha história com os retalhos deixados em mim. Que eu também possa deixar pedacinhos de mim pelos caminhos e que eles possam ser parte das suas histórias.
E que assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de nós."
 
- Cora Coralina

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Novembro 02, 2020

Anathema

 

“O egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses.”
 
―José Saramago

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

O belo é uma manifestação de leis secretas da natureza, que, se não se revelassem a nós por meio do belo, permaneceriam eternamente ocultas.
 
✍️ Johann Wolfgang von Goethe

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

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Novembro 01, 2020

Anathema

 

Amavam-se. Mas a distância física era inimiga . Ela , um marido ciumento. Ele ,sem quase poder recorrer às redes , e em telefonemas rápidos. Era
a mulher, os filhos, um mundo galopante.
Antes da pandemia , tirava algum tempo e deslocava-se até à cidade da amada.
Agora era de todo impossível.
Aliás, era inalcançável estar com ela. O marido colocava muros intransponíveis.
Nos rápidos telefonemas ,ele ao ar livre e de máscara, sentia-se um ovni face a uma situação tão drástica.
Ambos se tinham conhecido no Facebook. Algures há uns dois anos.
Jorge deslocava-se quase sempre até à cidade da amada para um curto espaço de tempo aceder à presença física.
Ela amava-o, mas não queria pôr em causa o casamento.
Jorge desmedido continuava a fazer centenas de quilómetros para a ver.
Abraçavam-se com o paladar das passionalidades não permitidas.
Um dia , enlaçados, foram vistos pelo filho mais novo de Julieta.
O adolescente perguntou quem era aquele homem.
Atrapalhada , Julieta disse
- Um amigo que está a morrer.
- Com a COVID?
- Não, de cancro.
-E tens a certeza de que ele não está contaminado?
Jorge ficara petrificado.
Aqueles breves momentos já não podiam acontecer.
Tentavam o WhatsApp, mas era um caos. Os filhos de Julieta , atentos.
Jorge , impotente.
(Começou a sentir ciúmes doentios do marido de Julieta. Sabia que a felicidade não bafejava as relações proibidas).
-Elisa sentia o desnorte do marido. Há muito tempo que não havia sexo. Ele referenciava o trabalho a a pressão inerente-.
Jorge por vezes telefonava a Julieta , mas ela já não atendia.
Um dia ligou mais uma vez . Do outro lado, a voz grossa do marido. Desligou .
O que se teria passado?
Não podia mais. Amava compulsivamente.
Conseguiu uma carta de permissão para se deslocar à cidade de Julieta.
E ,como um louco, colocou-se nas imediações do prédio para verificar quem saía ou quem entrava .
(Viu o marido a sair e a entrar várias vezes. Mas os filhos estavam com a mãe…)
Sentiu-se ridículo , debaixo daquela arcada espúria.
Com raiva de si próprio mete-se no carro e regressa a casa, com a pressa de quem foge .
Num mail ,entretanto recebido , Julieta comunicou que já tinha um outro número de telemóvel. O marido apropriara-se do anterior.
Jorge reconhecia que aquele caminho era o nada.
Desfeito . Inquieto . Sentia que tinha de calar os impulsos.
Os tempos eram iníquos e ferozes.
(Quando olhava para Elisa via a pessoa amiga que estivera sempre presente. Os filhos , adolescentes).
Não havia lugar para as paixões. Mas sim para o esboroar dos dias.
Os amores estavam submersos nos lares confinados.
Não esqueceria Julieta, nunca.
Mas, para não se tentar, bloqueou os números de telemóvel. Também, nas redes sociais.
Tempos sombrios. O medo. Os sonhos desfeitos. As paixões caladas.
Inabitável, a noite ressuscitara o fantasma do latejar da morte.
 
ceciliabarreira

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