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Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

Anathema

"Todos elogiam o sonho, que é o descansar da vida. Mas é o contrário, Doutor. A gente precisa do viver para descansar dos sonhos"

21.01.26

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Anathema

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21.01.26

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Anathema

 

" Quando o machado entrou na floresta, as arvores disseram: o cabo é um dos nossos." ~Proverbio Turco.
"O maior perigo raramente vem de fora.
Ele quase sempre entra disfarçado de pertencimento.
Aquilo que te destrói nem sempre se apresenta como ameaça.
Às vezes fala a sua língua.
Às vezes carrega a sua bandeira.
Às vezes parece “um dos nossos”.
O sábio aprende a desconfiar não por paranoia, mas por clareza.
Porque nem todo aliado quer o seu bem e nem toda familiaridade merece confiança.
Quando você terceiriza o julgamento, abre espaço para que outros decidam por você.
E é assim que o machado entra na floresta sem resistência.
Se essa frase fez sentido, é porque em algum momento
você já confiou demais,
baixou a guarda, ou ignorou sinais claros e pagou por isso.
Discernimento é proteção.
Autonomia mental é defesa.
E lucidez é o que impede que você seja usado contra si mesmo."
 

21.01.26

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Anathema

 

“O lobo só ama uma vez, e permanece.
Não por falta de escolha, mas porque ele não quer outra forma.
Para ele, a lealdade não é um luxo, é uma lei.
Quando ele ama, ele dá tudo: ele protege, compartilha, espera e sacrifica.
Mesmo que sua companheira enfraqueça, ele se adapta, cuida dela, defende.
Ele não está procurando uma vida fácil, mas uma vida compartilhada.
Seu amor não depende nem do tempo nem das provações, mas do coração.
Em um mundo em constante mudança, alguns lobos escolhem ficar. A sério.”
 

21.01.26

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Anathema

 

“Assim são as imagens poéticas:
Elas têm o poder de ir lá no fundo da alma
Onde moram os esquecimentos
E quando um desses esquecimentos acorda
A gente sente um estremeção no corpo
Essa é a missão da poesia:
Recuperar os pedaços perdidos de nós...”
 
__Rubem Alves.
 

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27.12.25

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Anathema


Ela viveu trancada numa cela de pedra —

e, ainda assim, ensinou a Europa a ver o corpo feminino como algo sagrado.



Alemanha, 1098.



A décima criança de uma família nobre nasce frágil, doente, assombrada por cores e luzes que ninguém mais consegue enxergar. O seu nome é Hildegard. Aos três anos, já sabe que vê o mundo de uma forma diferente. Mais tarde escreverá que percebia tudo “na Luz viva que percorre todas as coisas”.



A família não sabe o que fazer com uma filha estranha e debilitada. Então fazem o que a nobreza fazia: entregam-na à Igreja.

Ela torna-se o dízimo.



Com apenas oito anos, é enclausurada em Disibodenberg, numa câmara de pedra, ao lado da eremita Jutta von Spanheim. Silêncio. Oração. Solidão.

Era suposto que a sua história terminasse ali.



Mas Hildegard recusou-se a desaparecer.



Aprende latim, lê o que encontra, guarda em segredo as visões que a acompanham desde a infância. Durante décadas, cala-se por medo de errar, por medo de ousar. Até 1141, quando uma visão a deixa gravemente doente — como se o próprio Deus a esmagasse. Ela entende: se não escrever, morrerá por dentro.



Nasce então Scivias, uma obra mística que levaria dez anos para ser concluída. Quando excertos chegam ao Papa Eugénio III, ele faz algo impensável para o século XII: autoriza publicamente uma mulher enclausurada a ensinar através das suas visões.



A partir daí, Hildegard rompe todas as fronteiras.



Funda o seu próprio mosteiro. Cuida de doentes. Observa plantas, febres, dores, feridas, emoções. E escreve dois livros de medicina numa era em que mulheres eram proibidas até de tocar nesse campo: Physica e Causae et Curae.



Ela descreve ervas, minerais, animais e metais como agentes terapêuticos. Regista o uso do lúpulo como conservante da cerveja. Analisa digestão, circulação, doenças e estados emocionais com uma clareza que só séculos depois a ciência voltaria a alcançar.



Mas o mais revolucionário não foi isso.



Foi o modo como escreveu sobre as mulheres.



Num tempo em que o corpo feminino era visto como impuro, defeituoso, castigado por Eva, Hildegard falou de menstruação sem vergonha. Falou de prazer, de orgasmo, de gravidez e parto com respeito e conhecimento. Escreveu que a doença não era punição divina — era desequilíbrio. Que homens e mulheres eram iguais, complementares, necessários.



Enquanto filósofos ensinavam que a mulher era “um homem defeituoso”, Hildegard afirmava: o corpo feminino é sagrado.



Ela compôs músicas sublimes. Correspondia-se com imperadores e quatro papas. Pregava publicamente em cidades onde mulheres não tinham voz. Curava pobres e poderosos. E aos oitenta e um anos, quando morreu, era conhecida como a Sibila do Reno.



Trancada numa cela desde criança, ela expandiu o mundo.



Sem universidade, antecipou a medicina holística.

Sem permissão, aconselhou reis e papas.

Numa cultura que envergonhava as mulheres, ela consagrou os seus corpos.



Hildegard de Bingen não pediu espaço.

Ela transformou a própria prisão num farol.

 


14.12.25

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Anathema

14.12.25

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Anathema

12.12.25

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Anathema

02.12.25

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Anathema

 

O MEDO DE DESAGRADAR NÃO É BONDADE — É A FERIDA DA CRIANÇA QUE FOSTE
 
Quando tens medo de desagradar a alguém que diz gostar de ti, isso não é delicadeza, não é empatia, não é amor. É a criança que foste a levantar a cabeça dentro de ti. A criança que nunca recebeu amor incondicional. A criança que só era vista quando não fazia barulho, quando se esforçava, quando tentava ser perfeita para não perder o pouco afeto que tinha. A criança que aprendeu que dizer a verdade magoava, que ter opinião afastava, que ter necessidades era demais. E agora, adulto, repetes o mesmo teatro: sorris quando queres dizer “não”, aceitas quando queres recusar, finges que está tudo bem para não provocar dor, e sacrificas a tua verdade para proteger emoções que não são tuas. Não é o outro que temes ferir. É a memória da dor que sentiste quando foste ferido pelos teus pais. É o eco daquela solidão antiga a avisar-te: “Se desagradares, perdes.” “Se fores honesto, magoas.” “Se fores tu, deixas de ser amado.” Por isso mentes. Não por maldade, mas por sobrevivência emocional. Porque mentir parece mais seguro do que repetir a tua ferida da infância. Mas a verdade é fantástica e libertadora: quem realmente te ama não desaparece porque foste honesto. Não desmorona porque colocaste um limite. Não deixa de gostar de ti porque finalmente escolheste a tua verdade. O medo de desagradar não protege ninguém. Só te rouba a vida inteira. E o dia em que deixas de carregar a dor da criança que foste, é o dia em que começas, pela primeira vez, a viver como o adulto livre que és.
 

02.12.25

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Anathema

 

“O silêncio do Natal depois que os filhos crescem e vão embora”
O Natal muda quando os filhos crescem.
A casa, que antes tinha barulho, brinquedos, correria, expectativa… hoje tem silêncio.
 
E não é um silêncio qualquer.
É um silêncio que abraça e aperta ao mesmo tempo.
 
Você sente orgulho por ver cada um seguindo sua vida.
Mas sente falta.
Uma falta que chega antes da ceia, antes das luzes, antes do mês começar.
 
Porque o coração de mãe, de avó, de mulher que sempre cuidou… é assim:
Ele sente antes do acontecimento.
 
Os filhos crescem, formam suas famílias, fazem seus planos — e o seu Natal vai mudando de lugar.
 
A mesa diminui.
Os horários mudam.
A dinâmica muda.
O ritmo muda.
 
Mas o amor não muda.
Nunca mudou.
 
O silêncio que a casa carrega em dezembro não é vazio — é história.
É o eco de tudo que você fez.
De todas as noites sem dormir.
De todas as tradições que criou.
De todos os natais que você sustentou.
 
O silêncio do Natal é uma homenagem à mulher que você foi — e ainda é.
 
E mesmo que o coração aperte, existe beleza nisso.
Beleza em ver que você criou asas nos outros.
Beleza em perceber que, de alguma forma, sua árvore está espalhada pelo mundo.
 
Hoje, permita-se sentir saudade sem se culpar.
O silêncio também é amor.
E seu Natal continua vivo — dentro de cada memória que você plantou.